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Domingo, 25 de Julho de 2010

ENTERNECIDO PELA NATUREZA

Lá bem no alto do monte

Enternecido, encantado,

Observo o extenso horizonte

O Sol acorda a vegetação p'ra que desponte

Qu'adormecera na noite em tom aquietado

 

Ao fundo prado verdejante

Com frondosas árvores de permeio

Nele, gado comendo erva vicejante,

E um cão que lhes ladra exuberante

Porque tresmalharem-se é seu receio

 

Os animais comem com satisfação

As ervas com que se repastam

E comem e balam em conjugação

Unidos em genuína comunhão

Cabras e ovelhas juntas pastam

 

A lembrar o poema de Camões

De ervas vos mantendes

E logo à memória vêm os dobrões

Qu'ele não teve, noutros sobrou aos montões,

Sobrou-lhe génio em versos sempre verdes

 

As pegas parlam por todo o arvoredo

Também Luís Vaz cantou p'lo mundo inteiro

A lusa raça nele crepitando ardendo

Sagrada estrela em angústia sofrendo

Sol da poesia pleno, verdadeiro

 

E no cimo dum pinheiro esguio

Meiga rola tem seu ninho, nele procria,

Ao lado um rouxinol canta sem fastio

Brilhantemente horas e horas a fio

Bela e harmoniosa melodia

 

Um bando de tordos foge em debandada

Porque houve ruído e perigo pressente

É gente que passa na velha estrada

E que segue algo apressada

Falando e cantando contente

 

E ao longe ouve-se o corvo a crocitar

Que diferença faz do cantar do rouxinol

É a Natureza tudo a dominar

E quem domina a Natureza! Fica-se a pensar,

E olho o horizonte e nele o Sol

 

             João M. Grazina (Jodro)

publicado por CAMAGE às 16:35

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