. TORTURADO P'LO CHORAR DUM...
O Sol é para todos de graça
Que com calor e luz os beneficiaTambém à Terra dá vida e alegriaQuando pelo espaço celeste passa E incansável não se maçaEm plenitude dia a diaA originar tudo o que a terra criaPara que todos satisfaça E trabalha sem nada cobrarBasta-lhe o prazer da sua missãoAquecer e iluminar todos por igual Sem privilégio ou distinçãoÍntegro sem de atitude mudarNão é para uns sim e para outros não João M. Grazina (Jodro)
O ser humano está subjugadoPela enigmática NaturezaQue lhe impõe com brandura ou asperezaCoisas boas e más por ela deliberado Com inflexível rumo traçadoA cada ser que desabrocha em belezaQue por ele segue na incertezaSem apreender se bem ou mal fadado Ao que a Natureza estabeleceNão adianta qualquer um se revoltarEla tudo domina como lhe apetece Absoluta, omnipotente a mandar,Uns beneficia outros desfavoreceNinguém a consegue desvendar João M. Grazina (Jodro)
Oliveira que vi nascer e cresceDe vestido verde para eu a admirarE todos os anos de flores o guarnecePara ainda mais me encantar E pétalas das flores no chão caindoSuaves, brancas símbolos da paz,Que o Homem em quezílias envolvidoIrracionalmente, encontrar não é capaz O vento os ramos lhe agitaQue origina as pétalas o chão juncandoQue dum branco divino ficaMinha alma dulcificando Aves diversas no espaço pululamPousando na pacífica ramagemA cantar-lhe amorosas a adulamEm harmoniosa mensagem Cujo conteúdo não decifro, desconheço,O que docemente estão a transmitirNem com isso me entristeçoMe satisfaz inebriado, ver e ouvir João M. Grazina (Jodro) 
Criança! Não fiques amargurada a chorar
Que eu estou plenamente contigo
Dá-me a mão e vamos ver o trigo
No campo, ao sol já a lourejar
Depois! Fomos correndo a brincar,
É deveras contente que o digo
Ela à frente eu atrás a persigo
Fazendo não a conseguir apanhar
E caí no chão cansado fingindo
E ela olhou para trás sorrindo
Esquecida do chorar da amargura
E ficou inocentemente pensando
Que era invencível seu corcel montando
A correr em veloz loucura
João M. Grazina (Jodro)
Pela minha vida os olhos passeiDesde que nasci até ao presenteNão me senti contente nem descontenteCom o mau e bom que vi me conformei Mas muitas coisas só vislumbreiJá difusas no meu conscienteO tempo as foi apagando lentamenteE há outras de que nunca mais me lembrei E a meditar me recolhiSemblante deveras tristonhoPelas dolorosas saudades que senti Dos momentos que passei risonhoAté dos tristes, pois com eles na vida aprendi,Ou será que tudo não passou dum sonho! João M. Grazina (Jodro)
Segue perniciosa a maldadePor trilhos tortuosos lamacentosOnde não se vislumbra amenidadeVazia de sorrisos olhos de ódio sedentosEmbebidos de plena crueldadeSatisfeita a ouvir tristes lamentosDe pessoas, que ouve de feliz a exultar,É a sua maneira de na vida estar Com naturalidade foi concebidaPara semear o mal pela TerraDe benevolência despidaPois que a hediondez veneraPara ela a mais apetecidaA adorá-la toda se esmeraE a bondade de si repeleCom ela não se dá nem quer Ela é deveras odiosa, abominável,Vociferando de raiva contra o bemA detestar o belo afávelCom ódio e rancor que de si provémSua forma de vida é detestávelP'ra quem prodigaliza amor e paz tambémÓ maldade, porque é que na Terra existes?Porque é que contra o bem persistes? João M. Grazina (Jodro) 
Vou intranquilamente vivendo
O tempo que me pertence de vida
A alma desesperada entristecida
As esperanças nele morrendo
Os sonhos em frustração fenecendo
A ilusão que pensei do mundo, esvaecida,
Afinal a ilusão p'la desilusão vencida
Não mais que um vislumbre perecendo
Tantas coisas que em jovem conjecturei
Só a mentira não assimilei
Contra ela furibundo me enraiveci
E por isso muitas delas não obtive
Porque a mentira não usei, pois que só vive
Em mim a verdade que p'ra todos sorri
João M. Grazina (Jodro)

Nunca mais deixo de sonhar
Como quando era pequeninoPois já na velha idade me definhoE continuo ingénuo a devanear Sem meu tempo de vida imaginarQue seu sol já não vai radioso a pinoQue já morre no horizonte divinoP'rá infinda noite começar Mas saio do devaneio, da ingenuidade,E tombo na amarga verdadeDum vão sonhar, afinal sonho! São frustrações íntimas a carpirQue deixam em meu semblante um sorrirAmargo, desesperadamente tristonho João M. Grazina (Jodro)
Atrás da vida seduzidos, encantados,
Em frenesim a ela agarrados
Para ver se não a perdemos
E seus trilhos imprevisíveis percorremos
Pelo destino com rigor traçados
E que seguimos por ele empurrados
Sem disso nos apercebermos
E a vida a correr nos transforma
De novos em velhos sem piedade
Atuando com impassível norma
Enraizada de naturalidade
Que em absoluto a forma
Um mistério da Humanidade
João M. Grazina (Jodro)

É doce tristeza a saudade
A lembrar-nos o passado com brandura
Os corações saudosos magoa sem maldade
Conjugando felicidade e amagura
Que cumpre por obrigatoriedade
À Natureza inflexível dura
A saudade acabrunha-nos o coração
Com as coisas que foram nossa paixão
A saudade é doce e amarga bebida
Que nos corações se mistura amena
Sem apelo por todos ingerida
A lembrar-lhes coisas passadas s'empenha
Retalhos bons e maus da ainda jovem vida
Que cismam não mais voltar e lhes causam pena
A saudade é um sofrer cativante
Única que sobrou nos corações do distante
A saudade é indolência
Que em nós se enraiza tristonha
Nos massacra plena de inocência
Austera sem ser medonha
Nos enleia com complacência
A nós se pega sem ser peçonha
Nossa alma alivia e mortifica
E até morrermos connosco fica
João M. Grazina (Jodro)